O parcelamento sem juros no cartão de crédito costuma parecer uma solução simples para tornar as compras mais acessíveis. Ao diluir o valor em várias parcelas, a sensação imediata é de alívio no orçamento mensal — o que explica por que essa prática é tão popular no Brasil. Porém, essa facilidade pode esconder riscos quando não há planejamento.
Uma das principais armadilhas é o chamado “parcelamento invisível”: várias compras pequenas, feitas em meses diferentes, vão se sobrepondo na fatura até comprometer uma parte significativa da renda. Como cada parcela parece baixa, o consumidor tende a subestimar o impacto total, perdendo a visão do conjunto e reduzindo sua margem para imprevistos.
Esse comportamento ajuda a explicar por que o cartão de crédito pesa tanto no endividamento das famílias. A pesquisa “A relação dos brasileiros com dinheiro”, divulgada em setembro de 2025 pela Nexus, mostrou que 51% dos brasileiros das classes A, B e C têm dívidas no cartão de crédito. Além disso, quando o pagamento não é feito integralmente, entra em cena o rotativo — cuja taxa de juros em novembro passado atingiu 440,5% ao ano, segundo o Banco Central — tornando o custo da dívida extremamente elevado.
Outra armadilha comum é usar o parcelamento para compras que não caberiam no orçamento atual, transformando desejos imediatos em compromissos de longo prazo. Isso pode adiar metas financeiras importantes, como formar reserva de emergência, reduzir dívidas ou investir para o futuro.
Usar o parcelamento de forma consciente passa por três perguntas simples: a compra é realmente necessária? Ela cabe no meu orçamento total (e não só na parcela)? Eu continuaria comprando se tivesse que pagar à vista? Refletir sobre isso ajuda a transformar o cartão de crédito em ferramenta, e não em fonte de desequilíbrio.