Como você imagina sua vida daqui a 10, 20 ou 30 anos? Para muita gente, pensar no futuro envolve ter mais tempo livre, viajar, cuidar da família, dedicar-se a projetos pessoais ou simplesmente manter um padrão de vida confortável. Mas transformar esse futuro imaginado em realidade também passa pelas escolhas financeiras feitas no presente.
Uma pesquisa da FenaPrevi em parceria com o Datafolha mostra um possível descompasso entre expectativa e realidade. Metade dos entrevistados diz idealizar a aposentadoria até os 60 anos, mas apenas 29% acredita que conseguirá parar de trabalhar até lá. O levantamento, realizado em setembro de 2024, ouviu mais de 1.900 pessoas com 18 anos ou mais, em todas as regiões do país. Outro levantamento, realizado pela Abefin em parceria com o Instituto Axxus, em 2025, ajuda a dimensionar essa distância: 62% dos 600 trabalhadores entrevistados afirmaram não guardar nenhum recurso para a aposentadoria.
Os números não significam que todas as pessoas tenham o mesmo projeto de futuro ou que a única forma de se preparar seja guardar dinheiro para a aposentadoria. Mas mostram como é importante aproximar o planejamento financeiro dos objetivos que cada pessoa tem para a própria vida. Afinal, quanto custa o futuro que você deseja?
O primeiro passo é transformar uma ideia genérica em uma meta concreta. Pense no estilo de vida que gostaria de ter, em que idade pretende reduzir o ritmo de trabalho e quais despesas provavelmente continuarão fazendo parte da rotina. Também vale considerar outras fontes de renda futuras, como aposentadoria do INSS e patrimônio.
Com essas informações, fica mais fácil avaliar quanto é possível destinar hoje à previdência complementar e por quanto tempo. A idade é um fator importante: quanto maior o prazo para acumular recursos, mais tempo existe para construir uma reserva. Da mesma forma, começar mais cedo permite distribuir o esforço de poupança por um período maior.
O planejamento também precisa levar em conta a realidade do presente. Não adianta estabelecer uma meta impossível de cumprir. O valor destinado ao futuro deve caber no orçamento atual, sem comprometer necessidades essenciais.
Pensar no futuro não significa deixar de aproveitar o presente, mas fazer escolhas hoje que ajudem a sustentar os planos de amanhã. Afinal, entre a vida que você imagina e a vida que poderá viver existe um caminho que começa a ser construído agora.